Cria

Sobre

Quem somos nós

A missão do CRIA é provocar nas pessoas, através da arte-educação, de forma coletiva e comunitária, atitudes transformadoras de si e da sociedade.

Para realizar seu trabalho desenvolve o seu Programa de Educação para a Cidadania- PEC, que consiste a formação de adolescentes, jovens, adultos e seus familiares, por meio da criação, produção, difusão artística pedagógica do seu teatro de autoria própria da instituição com espetáculos e recitais de poesia, Mostras de arte: A Cidade CRIA- Cenário de Cidadania e Festivais de Arte Educação. Essas ações expressam novas formas de participação, inclusão social motivando a formação de grupos comunitários e de produção cultural nos territórios da cidade. Nossa sede está localizada no coração do Centro Histórico de Salvador/BA, Pelourinho na Rua Gregório de Matos N 21, casarão cedido pelo IPAC, apoio histórico para dar chão e raiz, para acontecer as atividades do Programa. São atividades na sua totalidade de cunho formativo na arte educação, na criação artística pedagógica na leitura e expressão, na produção e intercâmbios culturais, ensaios abertos dos grupos de teatro e poesia, incidência política e mais recente a experimentação na pesquisa social na mão da juventude que se propõem construir espaços comunitários de incidência política. Aliado a este arcabouço programático político pedagógico tem o trabalho da equipe técnica na grande parte oriunda dos grupos de teatro, voltada para a estrutura nas áreas da: arte-educação, produção cultural, psicossocial, mobilização de recursos, monitoramento, comunicação, sustentabilidade, administrativa e financeira e gestão voltada para a sustentabilidade.

O público participante do Programa são prioritariamente adolescentes e juventudes afrodescentes, expostos à situações de violência e de grande vulnerabilidade social em suas comunidades de diversos bairros populares da cidade de Salvador e também no Recôncavo Baiano nas cidades de Santo Amaro e São Sebastião do Passé, 

Para transformar esta realidade, a Instituição acredita também na interação e integração das famílias dos jovens participantes, das escolas/universidades destes às ações propostas, promovendo rodas de conversa, encontros de formações voltadas exclusivamente aos familiares, seus pares comunitários e de acompanhamento, avaliação sistemática para proposições de novas perspectivas.

 Somos CRIA, arte, cultura, educação, produção cultural, de luta com pertencimento, solidariedade e afetos. E seguimos perguntando, dialogando, olho no olho, de mãos dadas nas rodas de conversa, sentindo e expressando através de diálogos colaborativos e solidários permanentes: Quem sou eu? Quem somos nós? Para onde vamos e como e com quem podemos seguir CRIAndo…

Um pouco da nossa história

O CRIA iniciou suas atividades no ano de 1994, com o trabalho de teatro com e para adolescentes, baseado numa proposta de arte-educação tendo na sua centralidade a linguagem artística do teatro. Um teatro autoral o qual o jovem vai para cena expressar o seu sentir frente aos desafios enfrentados no seu contexto social provocando questões para o debate com a plateia. Este teatro foi criado e desenvolvido pela fundadora da instituição, Maria Eugênia Milet, psicóloga, artista, e professora da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Este teatro seguiu radicalmente afrocentrado a partir da direção da pedagoga, atriz, arte educadora e pesquisadora das questões da cultura afro brasileira, Carla Lopes. 

LINHA DO TEMPO

LINHA DO TEMPO

Os primeiros quatro anos do CRIA foram dedicados a incluir os adolescentes e jovens na discussão dos sistemas públicos de educação e saúde de Salvador. Do Projeto Educação: Um Exercício de Cidadania, em parceria com as Secretarias Municipais de Educação e Cultura e de Saúde, com adolescentes, educadores e profissionais de saúde, resultou a montagem da 1ª peça de teatro do CRIA: “Quem Descobriu o Amor?”. O projeto estimulou a inclusão da arte e temas ligados à vida cidadã e aos direitos sexuais e reprodutivos no currículo das escolas (antecipando-se aos Parâmetros Curriculares Nacionais) e nos serviços de saúde voltados para adolescentes, influenciando a implantação do Programa de Saúde do Adolescente (PROSAD) na rede municipal de Salvador. 

A partir de 2001 o CRIA expande a sua atuação para 7 cidades do interior do estado da Bahia (Feira de Santana, Vitória da Conquista, Ilhéus, Itabuna, Jequié, Juazeiro, Barreiras) concebendo e coordenando um processo junto a 4 ONGs de Salvador nas linguagens de artes plásticas, circo, música e dança junto às organizações não governamentais (Organização de Auxílio Fraterno- OAF- Circo Picolino, Bagunçaço e Casa das Filarmônicas). Desenvolveu este projeto de articulação cultural, política e pedagógica, sensibilizando e mobilizando o setor público e sociedade civil local, nas áreas de educação,cultura e saúde. Realizou diversas formações juntos a crianças, adolescentes, jovens, educadores, artistas populares e gestores públicos na perspectiva de criar Núcleos de Arte-educação nestas 7 cidades do interior da Bahia . Desta atuação nasce a Rede Ser-Tão Brasil, articulada pelo CRIA deste então, com novas cidades sensibilizadas a partir deste processo de formação. A Rede Ser-Tão Brasil constituiu como um coletivo de artistas, educadores, crianças, adolescentes, jovens, mestres populares da cultura que sonharam e aprenderam juntos a agir na sociedade e pela possibilidade de saborear uma vida simples e digna em cada lugar. Buscou-se inspiração em novas formas de experiência coletiva, a liberdade, a criação artística, as culturas tradicionais, as crianças, a relação do homem com a terra e as formas solidárias de sobrevivência em harmonia com a natureza. A Rede se organizou em cinco regiões a partir da lógica de aproximação geográfica e afinidades de atuações dos grupos culturais participantes: 1 Salvador (CRIA e 14 grupos comunitários de 24 comunidades de Salvador; 2. Região da Arupemba (Pintadas, Andorinha e Serrolândia); 3. Região Flor de Mandacaru (Irecê, São Gabriel, Central e Uibaí; 4. Região de Piemonte do Paraguaçu (Teofilândia, Boa Vista do Tupim, Macajuba e Ipirá) e 5. Região do Café com Cacau (Vitória da Conquista, Caetité, Jequié, Lafaiete Coutinho e Itamaraju). Totalizou 17 cidades. A aproximação da realidade do semiárido e das culturas tradicionais oxigenou a instituição e seus interlocutores urbanos. Foi criada uma agenda política com a realização de grandes encontros de mobilização como Feiras Culturais Comunitárias e 07 Encontros Ser-Tão Brasil realizados nas cidades de (Salvador, Lafaiete Coutinho,  Andorinhas, Macajuba, Senhor do Bonfim, São Gabriel e Boa Vista do Tupim) gerando incidências democráticas nas políticas culturais dos territórios envolvidos. Nestes 07 Encontros de Arte Educação realizados, no período de 2003 a 2011 nestas cidades, foram concebidos e criados os “Quintais das Crianças” inspiração da musicista Lídia Hortélio e Maria Eugênia Milet em duas destas cidades (São Gabriel e Boa Vista do Tupim). Tratou-se de ocupação de espaço público ocioso no diálogo com o poder público local, plantando espécie, usufruindo da vegetação local que abrigou as crianças e seu brincar, na sua casa, a mãe natureza, e sendo zelado pelos vizinhos, professores da redondeza e criando novos locais de convivência comunitária. Alcançou um público direto de mais de 6 mil participantes. 

Publicou 21 materiais educativos e outras 09 produções pedagógicas, frutos dos diversos projetos, programas e ações de arte educação realizadas na instituição. Nacionalmente o CRIA ainda se articula na Rede de Pontos de Cultura, sendo reconhecido como Ponto de Cultura e de Leitura, além de participar de outros coletivos municipais, estaduais e nacionais nas áreas de cultura, saúde, educação, assistência social e segurança pública popular. 

Na chegada da década dos seus 30 anos + de existência, o CRIA se encontra num momento de nova readequação organizacional, revisitando sua caminhada, agradecendo por quem deixou seu legado, reconhecendo os resultados de um coletivo de jovens e técnicos, ressignificando e construindo com quem ficou e os novos que chegaram o seu fazer sempre olhando para trás e projetando o futuro. O desafio permanente é dar vida longa ao CRIA na batuta dos seus jovens profissionais, aproximando cada vez mais de um modelo de gestão eficiente em busca de respostas às diversas exigências atuais, dos poderes públicos locais, nacionais bem como as corporações internacionais, levando em consideração o panorama sócio político interno e externo, no que toca a investimento e apoio às Organizações Sociais brasileiras. 

Deste modo o CRIA vem buscando novas estratégias de sustentabilidade institucional e financeira entendendo que toda equipe é parte desta construção diária e coletiva com assessoria de consultores externos que possam agregar a esta construção radicalmente coletiva.  Reinventar e renovar os pilares da dinâmica da organização em busca de manter a qualidade e o impacto do trabalho do CRIA afrocentrado, junto ao seu público-participante direto e comunitário oriundos das comunidades de Salvador e cidades do Recôncavo Baiano é a nossa perspectiva. 

Em 2023 acreditando que “Investir em Acessibilidade é um ato de Responsabilidade Social, garantindo o direito de ir e vir a todos, inclusive às pessoas com deficiência, promovendo seu fortalecimento político, econômico e social” foi criada uma parceria com a sócia benemérita da instituição Alba Gomes da AM Gestão. A instituição deu seus primeiros passos criando o projeto descritivo para ações de acessibilidade, com técnica e planejamento, na sede da instituição, conforme leis e Normas técnicas brasileiras. Com recursos mobilizados via editais públicos, vem realizando suas primeiras ações concretas de acessibilidade (acesso com implantação de segurança e acessibilidade na entrada, vaso acessível, barras no banheiro, sinalização tátil e visual). Outras virão!

Em 1997, o CRIA propõe a outras instituições de Salvador um pacto coletivo pela garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, respaldado pelo marco legal do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, criando o Movimento de Intercâmbio Artístico-Cultural pela Cidadania (MIAC) que integrou cerca de 200 instituições governamentais, não governamentais, grupos artísticos e movimentos sociais. De 1998 a 2001, no âmbito deste movimento, o CRIA realizou quatro festivais de arte-educação – “O Adolescente e a Arte pelos Direitos Humanos” no Teatro Vila Velha e no Teatro ICEIA. reunindo um público de 5.800 pessoas entre no teatros Vila Velha e ICEIA, além de ocupar diversos espaços internos e da comunidade do entorno dos teatros. 

Para avançar no caminho da articulação comunitária, o CRIA realizou ações de formação, produção de conhecimentos, diversas publicações, como o “Guia de Elaboração do Relatório Anual das Expressões da Cultura Popular” e “Guia de Mapeamento das Expressões da Cultura Popular” para o projeto Selo Unicef Município, além de diversos materiais educativos e pesquisas, à exemplo da pesquisa-ação “Escola: Crenças e Mudanças nos Territórios de Atuação dos Jovens Dinamizadores Culturais Pela Arte” – Educação (2005-2006), projeto vencedor do Prêmio Itaú/UNICEF em 2007, e além de coordenar regionalmente a “Pesquisa Nacional Juventude Brasileira e Democracia”: participação, esferas e políticas públicas, desenvolvida pelo IBASE – Betinho e Instituto Pólis (2005). 

Participou de 13 Intercâmbios nacionais. Já no âmbito internacional, a instituição participou de 12 intercâmbios internacionais nos âmbitos da: da Rede Latino-Americana de Arte e Transformação Social, composta por 23 ong’s de cinco países, realizou ao longo da sua trajetória intercâmbios artístico-culturais entre 2000 a 2003, em 2004 com a Itália, através da Cooperação Artística com o C’art – Circo Arte Teatro Ricerca- Firense viajou para Nápole, levando o grupo Tribo do Teatro- espetáculo Quem descobriu o amor? para a Alemanha levou o grupo de teatro Pessoa Comum, em 2003 na Suécia, em 2007 Bélgica e Holanda. O grupo Abebé Omi foi o convidado, em 2011 e 2013 viaja para Inglaterra onde participou de dois festivais de arte – articulação da NEOJIBÁ e várias ong´s de Salvador. Na África em 2001, o CRIA foi convidado pela FDC- Fundação Desenvolvimento das Comunidades, Samora Marchel, através de Graça Marchel, esposa de Nelson Mandela, que coordenava o Programa Escola sem HIV.

O CRIA foi identificado como uma organização com iniciativa de arte e cultura voltada à proteção e prevenção de HIV e AIDS, junto a adolescentes e jovens, através de uma pesquisa realizada no Brasil pela Cooperação Sul Sul. Neste intercâmbio viajaram 05 membros da equipe sendo duas educadoras e 03 jovens. Foi realizada a formação de 80 professores da rede pública de educação de Maputo e montagem de espetáculo com formação de 40 jovens no tema da prevenção de HIV. Um dos resultados foi a montagem de um espetáculo Akuhanha (vivências) e 1 uma Banda desenhada- Caderno Informativo. Dentro desta vivência do intercâmbio foi promovido a vinda de 05 jovens para o CRIA no Brasil. Os mesmos vieram e vivenciaram a arte educação do CRIA que se desdobra em montagem e apresentações de espetáculos. Um segundo momento em 2002, viajou outro grupo de educadores e jovens com a Parceria ABC- Projeto Axé, Bagunçaço e CRIA puxado pela UNESCO e USAID, para a continuidade da formação de arte e cultura junto à juventude. No terceiro e último momento em 2003 viaja uma jovem monitora do CRIA para atualizar e alimentar o trabalho anteriormente realizado colhendo os resultados e avaliando as perspectivas do intercâmbio realizado entre Brasil- Bahia e África. O CRIA produziu ao longo de sua trajetória, um repertório artístico de 29 espetáculos (peças teatrais, recitais poéticos e Clown), a partir da formação de cerca adolescentes, jovens e adultos de Salvador, para vida cidadã, através do Programa de Educação para a Cidadania, que contempla formação em arte educação, através das linguagens cênicas de teatro, poesia e clown, em novas tecnologias da comunicação e informação, artes multimídias, produção cultural, além das temáticas ligadas aos direitos e a formação e diálogo com as famílias. 

Através das suas ações e estratégias políticas, a instituição mobilizou uma platéia para participarem das realizações sócio-culturais como: 04 Festivais do MIAC- Movimento Artístico Cultural pela Cidadania, 10 caldeirões Culturais, Mostras de Arte Comunitária “10 Mostras de teatro CRIA- A cidade CRIA – Cenários de Cidadania”, 07 Encontros Ser-Tão Brasil, Formação de 07 Núcleos de Arte Educação em, 07 cidades do interior da Bahia, 29 aberturas Cénicas e 05 Festivais de Arte Educação em Salvador. 

Na chegada da década dos seus 30 anos + de existência, o CRIA se encontra num momento de nova readequação organizacional, revisitando sua caminhada, agradecendo por quem deixou seu legado, reconhecendo os resultados de um coletivo de jovens e técnicos, ressignificando e construindo com quem ficou e os novos que chegaram o seu fazer sempre olhando para trás e projetando o futuro. O desafio permanente é dar vida longa ao CRIA na batuta dos seus jovens profissionais, aproximando cada vez mais de um modelo de gestão eficiente em busca de respostas às diversas exigências atuais, dos poderes públicos locais, nacionais bem como as corporações internacionais, levando em consideração o panorama sócio político interno e externo, no que toca a investimento e apoio às Organizações Sociais brasileiras. 

Deste modo o CRIA vem buscando novas estratégias de sustentabilidade institucional e financeira entendendo que toda equipe é parte desta construção diária e coletiva com assessoria de consultores externos que possam agregar a esta construção radicalmente coletiva.  Reinventar e renovar os pilares da dinâmica da organização em busca de manter a qualidade e o impacto do trabalho do CRIA afrocentrado, junto ao seu público-participante direto e comunitário oriundos das comunidades de Salvador e cidades do Recôncavo Baiano é a nossa perspectiva. 

Em 2024 ainda  nesta parceria cria-se junto aos jovens participantes do Programa um espaço de convivência denominado ‘Meu Canto CRIA”, onde estes se encontram para conversar, trocar, jogar, ler, trocar e ou descansar antes ou depois das atividades. A ideia é fazer deste espaço uma extensão da Biblioteca Zeca de Magalhães garantindo um lugar adequado para leitura criativa e continuada. Os recursos para a efetivação deste “Canto”, vieram de pessoas físicas, amigas, familiares e colaboradores que acreditam na potencialidade do trabalho do CRIA junto às juventudes.

Ainda em 2024, apoiada pela Cooperação Internacional da PPM e TDH e pela então recém colaboradora do CRIA, Roberta Carneiro da empresa ETICAR, advogada especialista em Compliance, Governança Corporativa, Ética Empresarial foi elaborado em equipe de gestão a Política de Integridade denominada de “Política de Salvaguarda contra Violência, em especial contra a Exploração Sexual, Abuso e Assédio (PSEAH, CÓDIGO DE ÉTICA E CONDUTA e a POLÍTICA DE INVESTIGAÇÃO E APURAÇÃO DE DENÚNCIAS DO CRIA”.